A DESTRUIÇÃO DO TEMPLO SHAOLIN.

 

Conta-se que quando a China foi invadida pelos Manchus, os oficiais sobreviventes da Dinastia Ming, teriam se ocultado no templo Shaolin, buscando proteção numa época em que os templos budistas eram considerados tabus e objetos de grande reverência por parte do povo. O fato de esses oficiais terem permanecido ocultos por muitos anos no templo parece justificar o grande número de formas com armas praticadas pelos monges de Shaolin, considerando as restrições que a filosofia budista impunha ao uso de armas antes da época.

Os manchus tentaram diversas vezes atacar o templo sem sucesso, pois suas paredes eram inexpugnáveis, tendo diversos metros de espessura em alguns pontos.

No 25º dia do sétimo mês do 12º ano do reinado de Yung Chen (1733 D.C.), um monge shaolin da hierarquia inferior, chamado Ma Ning Yee, em conluio com três oficiais do governo manchu, chamados Chan Man Yu, Cheyung Ching e Wong May, envenenaram a água do templo e o incendiaram, tendo permitido a entrada de soldados, abrindo os portões do templo. Os poucos sobreviventes ao fogo e aos efeitos do veneno lutaram bravamente, mas desamparados pelos mestres principais, tiveram que render-se e foram mortos.

Conseguiram fugir cinco dos grandes mestres principais e quinze discípulos. Dentre os quinze discípulos, apenas seis tiveram fama como possuidores de grandes habilidades nas artes marciais. Foram eles: Hung Hei Kun, Luk Ah Choy, Fong Sai Yuk, Tse Ah Fock, Fong Weng Chun e Tung Chin Kun, grandes lutadores cujos feitos heroicos são até hoje narrados no folclore chinês. Quanto aos cinco mestres que escaparam, seus nomes eram: Pak Mei, Cheong Sin See, Miu Hin, Fung To Tak e Ng Mui.

O monge Pak Mey ocultou-se em um templo budista de Kwang Wai na Província de Sze Chuan e transmitiu seu estilo ao monge Chu Fat Wan, que por sua vez, quando já estava com 92 anos, o ensinou a Cheng Lai Chun, que o preservou até a morte em 1964, com a idade de 84 anos. Os discípulos de Cheung Lai Chun formaram a Associação Pak Mey de Hong Kong, uma das mais tradicionais desta cidade.

O mestre Gee Sin See tornou-se um revolucionário e conclamava a juventude chinesa a se reunir para derrubar o governo Manchu, o que fez com que a sua cabeça e a de alguns de seus discípulos fossem colocadas a prêmio, forçando-o a se refugiar como cozinheiro em um dos juncos vermelhos, barcos que transportavam equipes da ópera chinesa por todo o país, fazendo apresentações nas cidades ribeirinhas por onde passavam.

O mestre Miu Hin com seu filho Fong Sai Yuk e sua filha Mui Tsuí Fa, escondeu-se no povoado da tribo Yao, entre as províncias de Sze Chuan e Yunan. Mais tarde envolveu-se em inúmeras peripécias fantásticas que são até hoje lembradas pelo povo chinês. O mestre Fung To Tak era especialista na técnica do Tigre e transmitiu seus conhecimentos a Kwon Wai Tu Jung, que deu origem ao estilo Tigre Branco.

Ng Mui, a única monja que conseguiu escapar do templo Shaolin e conforme dizem as tradições, era a mais jovem entre os mestres sobreviventes. Embora fosse considerada da mais alta hierarquia do templo, por seu conhecimento da doutrina e por possuir seus sentidos super desenvolvidos, quando fugiu do templo, Ng Mui viajou pela China durante algum tempo, depois, decidida a continuar com a vida religiosa, ingressou no templo Garça Branca, na montanha de Taí Leung, na fronteira entre as províncias de Sze Chuan e Yunan.

 

O KUNG FU HOJE.

Após a fundação da República Popular da China, em 1º de outubro de 1949, o Kung Fu (Wushu), tornou-se uma atividade desportiva por excelência.

O Kung Fu praticado atualmente deixou de ter uma importância puramente bélica para promover benefícios à saúde e bem estar, integrando o indivíduo ao meio em que vive.

A expressão Kung Fu (功夫) significa literalmente disciplina, trabalho árduo, habilidade. Refere-se às pessoas que se dedicam por longo tempo ao domínio de uma disciplina, ao ponto de poder expressá-la com perfeição.

Na China, a expressão Wushu (武術) refere-se a todas as artes marcias de origem chinesa.